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Primeiro assunto de saúde do idoso #8º periodo

CONTEXTOS NACIONAL E ESTADUAL

no Brasil, a expectativa de vida ao nascer passou de 33,7 anos no iníciodo século XX para 63,5 anos na década de 80.

Depois chegou a 69,49

no ano de 2004, e será, de acordo com projeção do Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IBGE), ao redor de 73,59 anos em 2050.

Ao mesmo

tempo, numa projeção, a taxa bruta de natalidade por mil habitantes caiu de 31,56

em 1980 para 19,30 em 2004 e será de 13,53 em 2050.

Com o aumento da expectativa de vida, que deveu-se principalmente a menor

mortalidade infantil e maior desenvolvimento tecnológico-científico (melhor preservação

da saúde ao longo dos anos de vida), e redução das taxas de natalidade,

assistimos no Brasil a um verdadeiro “boom” de idosos no final do século XX.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025, a população

de pessoas idosas de um modo geral no país crescerá 16 vezes contra cinco

vezes a população total. Assim a proporção de pessoas idosas na população

geral passará de 10:1 nos dias atuais para 5:1 em 2050.

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10 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

Dados do CENSO de 2000 mostram uma população de pessoas idosas de

14.569.029 no Brasil (8,6% da população) e há estimativas de que em 2020 serão

cerca de 32 milhões (15% da população), com a sexta maior população de pessoas

idosas do mundo em número absoluto. A faixa etária dos maiores de 80 anos

(os muito idosos) é a que mais cresce em termos proporcionais. Os muito idosos

passaram de 81,6 mil (0,4% da população) em 1950 para 731 mil (1,1% da população)

em 2000 e passarão para 2,46 milhões (2,7% da população), em estimativas,

até 2020.

Há envelhecimento mesmo dentro da própria população idosa.

Segundo projeções para 2005 do Datasus, há no Brasil 16.907.782 pessoas idosas

(9,2% da população). A expectativa de vida ao nascer encontra-se em 72,05

anos (68,35 anos para homens e 75,93 anos para mulheres) e a expectativa de

vida aos 60 anos, isto é, o tempo de vida restante esperado ao se alcançar os

60 anos, encontra-se em 20,94 anos (19,31 anos para homens e 22,42 anos

para mulheres).

Segundo as mesmas projeções, no Espírito Santo há 297.115 idosos, constituindo

8,72% da população geral. Não estamos apenas acompanhando o envelhecimento

nacional, como somos a sétima unidade da Federação em índice de

envelhecimento (número de pessoas idosas para cada cem jovens) – 33,8%. A

nossa expectativa de vida ao nascer encontra-se em 73,14 anos (69,56 para homens

e 76,9 para mulheres), a oitava maior do Brasil, e a expectativa de vida aos

60 anos encontra-se em 21,65 anos (20,09 para homens e 23,14 para mulheres),

a quinta maior do Brasil.

Concomitante a essas importantes modificações demográficas, notamos muitas

mudanças no perfil epidemiológico da segunda metade do século XX em

diante no Brasil. As doenças cardiovasculares, que na década de 50 eram responsáveis

por 12% das mortes, hoje representam mais de 30%. Em menos de

40 anos o Brasil passou de um perfil de mortalidade materno-infantil, típico de

países jovens, para um perfil de mortalidade por enfermidades complexas, que

requerem tratamentos mais onerosos e prolongados, com grande demanda por

serviços de saúde típicos das faixas etárias mais avançadas. O Espírito Santo

tem seguido a mesma tendência, com mais de 31% dos óbitos em geral por

causas cardiovasculares contra apenas 3,5% por causas infecciosas e parasitárias,

em dados de 2002.

Além disso, uma população mais idosa interna-se com mais freqüência, por

períodos mais prolongados e demanda procedimentos mais caros. De acordo

com dados do Datasus, no ano de 2003 os usuários com 60 anos ou mais tiveram

uma média de permanência hospitalar de 7,3 dias e custo médio por pessoa

de R$ 666,00, enquanto os usuários entre 15 e 59 anos apresentaram taxa

de hospitalização de 64,26, média de permanência de 5,9 dias e custo médio

de R$ 477,00. A população de pessoas idosas, que representa 9,2% da população

total brasileira, consome em média 26% dos gastos com hospitalizações.

O novo perfil epidemiológico assumido reforça a necessidade de investimento

72

72,5

73

73,5

74

74,5

75

75,5

DF SC RS MG SP PN MS ES

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12 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

na base da cadeia de saúde, que é a Atenção Primária. Lidamos com doenças

crônico-degenerativas, de alta complexidade, fortemente determinadoras de

seqüelas, que atingem uma população mais predisposta a comorbidades, mais

susceptível a longas internações e mais propensa às suas complicações. Quanto

mais cedo interferirmos na história natural da doença, mais eficazes seremos

e menor será o ônus (social, físico, mental e econômico).

3.1 OS GIGANTES DA GERIATRIA (OS “5 IS”)

3.1.1 inCaPaCidadE CognitiVa

Durante o envelhecimento existem mudanças estruturais cerebrais, com o diminuição

de peso e volume, perda seletiva de neurônios, diminuição no número

de sinapses e decréscimo na plasticidade neuronal. Isso leva a alterações no

funcionamento cognitivo (intelectual) do indivíduo, em níveis que variam do normal

e discreto à doença franca.

Queixas de memória, especialmente, são muito comuns na população idosa.

Na comunidade, sua freqüência pode variar entre 23 e 80%. Fatores como depressão

e ansiedade, ou o uso de certos medicamentos, podem aumentar ainda

mais a freqüência dessas reclamações.

A capacidade cognitiva na pessoa idosa pode variar de forma persistente entre

alterações normais do envelhecimento, comprometimento cognitivo leve (CCL)

e demência, e pode manifestar alterações transitórias chamadas de quadro

confusional agudo ou delirium.

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82 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

O envelhecimento normal determina um maior tempo, em média, para a realização

de tarefas cronometradas e reação a estímulos. Pode haver dificuldade

para lembrar de nomes ou onde um objeto foi colocado, mas a informação é

em geral lembrada posteriormente e não há declínio na capacidade de aprendizagem

no envelhecimento normal.

Entre as queixas de memória mais freqüentes estão: nomes, locais onde foram

deixados objetos, número de telefone que acabou de olhar e palavras.

Parece existir déficit no acesso aos códigos fonológicos necessários para recuperar

uma palavra, com o fenômeno da “ponta da língua”, em que uma palavra

ou nome é tentado ser recuperado.

Não há prejuízo na memória de procedimentos (capacidade de dirigir, ler, realizar

tarefas de completar palavras e velocidade de nomeação, entre outras) e

não há comprometimento funcional.

O comprometimento cognitivo leve (CCL) ultrapassa os limites da normalidade

para o nível de escolaridade do indivíduo, mas não pode ser classificado

como demência. Há queixa subjetiva de déficit de memória, preferencialmente

confirmada por outra pessoa, evidência objetiva de alteração da memória sem

comprometimento de outras áreas da cognição (linguagem, capacidade executiva,

e vísuo-espacial, etc.) e não há comprometimento funcional. Entre 10 e

15% dos portadores de CCL progridem anualmente para Doença de Alzheimer,

comparado com 1 a 2% da população geral. O CCL pode representar um estágio

precoce da doença e há vários estudos em andamento sobre terapêuticas

do transtorno, ainda sem demonstração de terapia eficaz.

Demência é o quadro mais grave de declínio cognitivo, e caracteriza-se por déficit

irreversível em várias áreas da cognição, sendo um a memória, que representa

perda em relação ao estado prévio e leva a prejuízo funcional do indivíduo,

ocorrendo há pelo menos seis meses. Tem grande impacto social, pois leva a

perda da autonomia e da independência, gera altos custos de saúde, demanda

a dedicação de um cuidador (que sofre grande estresse e fica impossibilitado

de realizar uma atividade remunerada em caso de ser da família), aumenta a

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DIRETRIZES DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA 83

mortalidade, o risco de institucionalização, quedas, depressão, imobilidade e

internações, entre outros.

O maior fator de risco para demência é a idade e sua prevalência dobra a cada

cinco anos a partir dos 60 anos de idade. A prevalência situa-se entre 25 e

45% dos idosos acima de 85 anos da comunidade e em mais de 50% dos(as)

institucionalizados(as). O rastreamento é recomendado na população de alto

risco ou muito idosa (acima de 80 anos), e pode ser feito com testes como o

Mini-exame do Estado Mental, o Teste do Relógio e o da Fluência Verbal, descritos

na avaliação da saúde mental.

‰ Comprometimento de memória;

‰ Comprometimento de pelo menos uma das outras áreas da cognição:

9 Linguagem (dificuldade de expressão ou de encontrar palavras),

9 Habilidade vísuo-espacial (perde-se ou tem dificuldade com imagens),

9 Apraxia (incapacidade de realizar tarefas aprendidas previamente),

9 Planejamento executivo (cálculo, planejar passos da tarefa, abstração),

9 Agnosia (incapacidade de reconhecer objetos);

‰ Comprometimento significativo na função social ou ocupacional;

‰ Declínio significativo em relação à capacidade funcional prévia;

‰ Déficits não ocorrem exclusivamente durante episódios de delirium.

Há várias causas distintas de demência, sendo a Doença de Alzheimer responsável

por 60 a 70% dos casos.

É necessário atenção para o diagnóstico diferencial com as causas potencialmente

reversíveis, como depressão, hipotireoidismo e déficit de vitamina B12,

nas chamadas “pseudo-demências”.

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84 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

O diagnóstico de demência é clínico, podendo ser auxiliado por testes neuropsicológicos

(bateria de testes detalhados que examinam cada área da cognição).

Alguns exames complementares são indispensáveis para definir a etiologia e

fazer o diagnóstico diferencial com quadros potencialmente reversíveis: tomografia

computadorizada ou ressonância nuclear magnética de crânio (para verificar

a presença de lesões vasculares, caracterizando a etiologia vascular, neoplasias,

hematoma subdural e hidrocefalia de pressão intermitente), dosagem

de TSH, cálcio e vitamina B12 séricos, e sorologia para sífilis e HIV.

Quadro 14: “PSeudo-deMêncIaS” ou deMêncIaS

PoTencIalMenTe reverSÍveIS

CAuSAS POTENCIALmENTE REVERSÍVEIS DE DÉFICIT COGNITIVO

(“PSEuDO-DEmÊNCIAS”)

Deficiência de vitamina B12 Hematoma subdural

Tireoidopatia Hidrocefalia de pressão intermitente

Hipercalcemia Neoplasia de sistema nervoso central

Depressão Efeito de medicações

Alcoolismo Intoxicação por metais pesados

Neurosífilis AIDS

O tratamento da demência consiste em suporte familiar, atendimento multiprofissional

ao paciente, e abordagem da família e do cuidador. Deve-se sempre

considerar as expectativas e as possibilidades reais do paciente, visando à

otimização das capacidades cognitivas e motoras remanescentes, adequação

comportamental e social, melhora do funcionamento global e da qualidade de

vida (do paciente e dos familiares).

É preciso ainda observar as dificuldades e sinais de estresse do cuidador, para

amenizá-los e diminuir o risco de maus-tratos.

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DIRETRIZES DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA 85

Grupos de apoio são outra opção muito válida para promover o bem-estar da

família e dos cuidadores, informar sobre o manejo dos pacientes e proporcionar

a troca de experiências.

No Brasil, a ABRAZ – Associação Brasileira de Alzheimer, Doenças Similares e Idosos

de Alta Dependência – foi fundada em 1991 e encontra-se presente em vários

estados. É representada no Espírito Santo pela GRAFAZ – Grupo de Apoio a Familiares

de Portadores de Alzheimer, cuja sede situa-se atualmente em Vila Velha.

O tratamento farmacológico consiste no uso de medicações estabilizadoras da

doença e sintomáticas (neurolépticos, antidepressivos, entre outras).

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86 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

TIPOS DE DEmÊNCIA PRImáRIA

Tipo Freqüência Patologia Característ icas

Doença de

Alzheimer

(DA)

55%

Degeneração de

neurônios basais

e hipocampais;

deposição de

placas senis e

emaranhados

neurofibrilares

Progressão l 9 enta e gradual (10 a 15 anos)

9 Déficits motores focais ausentes

9 Comprometimento precoce da memória e da linguagem (anomia inicial,

afasia intermediária e mutismo terminal)

9 Sintomas comportamentais tardios (apatia, irritabilidade, agressividade,

delírios e alucinações)

9 Atrofia hipocampal à neuroimagem

Demência

Vascular

(DV)

17%

Lesões vasculares

corticais e/ou

subcorticais

9 Progressão típica em degraus (insultos vasculares)

9 Presença de fatores de risco para doença vascular (diabetes, hipertensão,

dislipemia, tabagismo)

9 Déficits motores focais em geral presentes

9 Comprometimento de memória menos evidente

9 Evidência radiológica de insultos vasculares

Demência

dos Corpúsculos

de

Lewy

(DCL)

15%

Corpúsculos de

Lewy no córtex

do hipocampo,

na amígdala,

substância negra

e locus ceruleus

9 Progressão gradual, mais rápida (5 a 7 anos)

9 Doença provável – 2 dos 3 itens seguintes: flutuações cognitivas,

parkinsonismo e alucinações visuais

9 Presença de hipersensibilidade a neurolépticos

9 Comprometimento das habilidades vísuo-espaciais e do planejamento

executivo mais expressivos

Demência

Frontotemporal

(DFT)

< 10%

Corpos de Pick

(corpos argentofílicos)

nos lobos

frontais e temporais

9 Progressão lenta e gradual

9 Idade média de início precoce (sexta década)

9 Comprometimento inicial da personalidade e do comportamento,

com preservação relativa da memória

9 Hiperoralidade, desinibição, e comportamento compulsivo

9 Atrofia frontotemporal e dilatação ventricular (corno anterior e temporal

dos ventrículos laterais) à neuroimagem

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DIRETRIZES DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA 87

drogas EstaBilizadoras da doEnça:

As drogas que inibem a degradação da acetilcolina na fenda sináptica (medicações

anticolinesterásicas) são as mais utilizadas e estão disponíveis para fornecimento

pela rede estadual de assistência farmacêutica.

Os anticolinesterásicos têm eficácia comprovada para pacientes com Doença

de Alzheimer leve a moderada, e eficácia provável para pacientes com Demência

Vascular, Doença Mista (Doença de Alzheimer com lesões vasculares) e Demência

dos Corpúsculos de Lewy, com resposta na cognição, comportamento

e capacidade funcional, possivelmente prolongando o tempo de evolução da

demência.

Os usados no Brasil são donepezil, rivastigmina e galantamina.

Outra droga estabilizadora da doença é a memantina, um antagonista dos receptores

N-metil-D-aspartato (NMDA) com eficácia comprovada para pacientes

com Doença de Alzheimer moderada a grave e Demência Vascular leve a moderada,

que tem demonstrado melhorar a capacidade cognitiva e, possivelmente,

o comportamento desses pacientes.

drogas sintomátiCas:

As medicações sintomáticas podem ser utilizadas quando necessário para pacientes

com sintomas não-cognitivos da demência.

Os antidepressivos mais seguros são os inibidores da recaptação da serotonina,

entre eles a sertralina e o citalopram.

Agitação psicomotora, agressividade, delírios ou outros sintomas psicóticos

podem ser tratados com neurolépticos atípicos, sendo menor a incidência de

efeitos extrapiramidais e sedação com esses do que com neurolépticos mais

tradicionais.

Os neurolépticos atípicos (a quetiapina, a risperidona e a olanzapina) estão disponíveis

na rede estadual de assistência farmacêutica.

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88 COLEÇÃO UMA NOVA SAÚDE

Tabela 6: droGaS eSTabIlIZadoraS

daS deMêncIaS e SuaS caracTerÍSTIcaS

mEDICAçãO DOSE

TERAPÊuTICA POSOLOGIA EFEITOS

COLATERAIS

Donepezil 5-10 mg/dia 1 comp

à noite Efeitos no TGI, insônia

Rivastigmina 6-12 mg/dia 2x/dia* Efeitos no TGI

Galantamina 16-24 mg/dia 2x/dia* Efeitos no TGI

Memantina 20 mg/dia 2x/dia Agitação, cefaléia

* após café-da-manhã e jantar; TGI: trato gastrintestinal

Delirium (ou Quadro ConFusional agudo):

É o nome dado à alteração cognitiva transitória caracterizada por oscilações

nos níveis de consciência, desorientação, alteração no ciclo sono-vigília, com

ou sem sintomas psicóticos (delírios e alucinações), e secundária à doença orgânica.

Pode acometer indivíduos previamente comprometidos ou hígidos no

campo da cognição, sendo aqueles mais susceptíveis ao delirium.

É muito comum em pacientes idosos internados, principalmente quando mais

gravemente enfermos.

Causas de delirium:

Drogas: principalmente psicotrópicos (neurolépticos, ‰ analgésicos opióides,

antidepressivos, anestésicos e, em especial, benzodiazepínicos), mas também

várias outras, como beta-bloqueadores, alfa-metildopa, quinolonas,

entre outras. Confusão mental após introdução de novas medicações ou

mudanças bruscas de doses devem levantar a suspeita de delirium medicamentoso.

‰ Distúrbios Hidroeletrolíticos: desidratação e alterações séricas de eletrólitos

(hiponatremia, hipomagnesemia, hipercalcemia, entre outras).

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DIRETRIZES DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA 89

‰ Distúrbios Metabólicos: alterações da glicemia, tireoidopatias descompensadas,

uremia, alterações hepáticas.

‰ Infecções: pneumonia, infecções do trato urinário e cutâneas são as mais

comuns.

‰

Fecaloma: apesar de mecanismo pouco compreendido, a presença de fecaloma

justifica alterações cognitivas transitórias.

‰ Fatores Ambientais: simples mudanças de ambiente, como recuperar-se

da anestesia no centro cirúrgico ou do coma em uma Unidade de Tratamento

Intensivo, podem ser causas de delirium. Além disso, a ausência de

prótese auditiva e dentária ou óculos, especialmente em pacientes com

comprometimento cognitivo prévio, também pode contribuir. Isso pode ser

evitado orientando o paciente onde está e porque (se possível até antes de

ser sedado, como no caso de cirurgias), mantendo próteses, com a presença

de acompanhante familiar, e até com mudanças no ambiente hospitalar,

como uso de calendários e relógios.

Tratamento:

‰ Consiste na retirada da causa.

‰ Em casos de agitação psicomotora, de sintomas psicóticos ou de o próprio

paciente expor-se a riscos, podem ser utilizados neurolépticos (de preferência

atípicos) para contenção química.

‰ Benzodiazepínicos devem ser evitados, pois podem piorar o quadro.

Quadro 20: PrIncIPaIS cauSaS de IMobIlIdade

CAuSAS COmuNS DE ImObILIDADE Em PESSOAS IDOSAS

Doenças

músculo-esqueléticas:

Ö Artrite (Osteoartrose, Artrite Reumatóide)

Ö Osteoporose grave

Ö Fraturas (especialmente quadril e bacia)

Ö Problemas Podiátricos (Calos,

Onicomicoses)

Ö Outras (Doença de Paget)

Doenças Neurológicas:

Ö Acidente Vascular Encefálico

Ö Doença de Parkinson

Ö Demência

Ö Outras (Dinsfunção Cerebelar, Neuropatias)

Doenças Cardiovasculares:

Ö Insuficiência Cardíaca Congestiva

Ö Insuficiência Coronariana

Ö Insuficiência Arterial Periférica

Ö Outras (Hipotensão Postural, Arritmias)

Doenças Pulmonares: Ö Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Alterações Sensoriais:

Ö Comprometimento da Visão

Ö Medo de Cair

Ö Dor Aguda ou Crônica

Causas Ambientais:

Ö Imobilidade Forçada (Hospitalização,

Institucionalização)

Ö Auxiliares de Deambulação Inadequados

Outras:

Ö Desnutrição

Ö Depressão

Ö Descondicionamento

Ö Doença Sistêmica Grave (Neoplasia

Disseminada, Infecção Sistêmica)

Ö Efeito Colateral de Medicação (Efeito Extra-

Piramidal de Antipsicóticos, Sedação de

Benzodiazepínicos e outros Psicotrópicos)

 
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